quarta-feira, 23 de maio de 2018

Apresentando África. Um pouquinho da sua geografia.


Muitas dúvidas surgem quando se fala no continente africano. Há quem pensa que a África é um país, talvez façam confusão com o país africano chamado África do Sul. Porém, o continente africano tem 54 países hoje. Hoje, porque antes de o continente ser invadido pelos europeus, as terras africanas eram dividias por impérios. Segundo Wikipedia, o Império do Mali, em 1350, compreendia os atuais países Mali, Senegal, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau e Burkina Fasso. Portanto, a colonização acabou com essa forma de divisão; e isso aconteceu definitivamente na Conferência de Berlim em 1885.


 
Império do Mali e Mapa atual da África

Falando especificamente após esta divisão, hoje a África é composta na história por duas partes. Alguns historiadores falam que a Geografia do continente fez com que ele fosse dividido em África Mediterrânica e África Subsaariana (BRITO & FABRICIO, 2012, p. 14). O intercâmbio cultural com os povos mediterrânicos (fenícios, romanos, árabes, judeus) fez com que influenciassem bastante na África do Norte. Inclusive, outra informação importante para nós que gostamos de aprender sobre nossa casa e desconstruirmos cada vez mais termos de historiadores ocidentais é que ao falarmos, geograficamente, sobre o continente africano, podemos também nos referir à África do Norte como Magrebe e África subsaariana em razão do deserto do Saara que faz a divisão entre essas duas regiões. Nos termos ocidentais, referem-se à parte Norte como África Branca e à parte Sul como África Negra ou Subassariana, neste último, opto por subsaariana porque falo literalmente sobre a parte geográfica.

Localização do Deserto do Saara. Ilustração: AridOcean / Shutterstock.com [adaptado]. Site: InfoEscola

Os países que compõem o Magrebe são o atual Egito, Tunísia, Argélia e Marrocos. Já a outra parte da África, a subsaariana, separada pelo deserto do Saara é caracterizada pela sua diversidade étnica, linguística e religiosa. Mas não podemos deixar de levantar a questão de que independentemente da Geografia, as duas partes influenciaram, sim, uma a outra. Segundo M. Amadou Mahtar M’Bow, “durante muito tempo, o continente africano quase nunca foi tratado como uma entidade histórica. Em contrário, enfatiza-se tudo o que pudesse reforçar a ideia de uma cisão que teria existido, desde sempre, entre uma ‘África branca’ e uma ‘África negra’ que se ignoravam reciprocamente. Apresentava-se frequentemente o Saara como um espaço impenetrável que tornaria impossíveis misturas entre etnias e povos, bem como trocas de bens, crenças, hábitos e ideias entre as sociedades constituídas de um lado e de outro do deserto. Traçavam-se fronteiras instransponíveis entre as civilizações do antigo Egito e da Núbia e aquelas dos povos subsaarianos. Certamente, a história da África norte-saariana esteve antes ligada àquela da bacia mediterrânea, muito mais que a história da África subsaariana, mas, nos dias atuais, é amplamente reconhecido que as civilizações do continente africano, pela sua variedade linguística e cultural, formam em graus variados as vertentes históricas de um conjunto de povos e sociedades, unidos por laços seculares” (2010, p. XXII apud BRITO, Edilson Pereira & FABRICIO, Edison Lucas, p. 15)
Mas vamos falar do continente num todo. Os dígitos apontam que o território africano tem 30.259.752 km². É o terceiro maior continente, pois antes dele ainda tem a Ásia e América. África tem um formato triangular e seus limites estão ao Norte com o Mar Mediterrâneo; a leste o Oceano Índico e a oeste o Oceano Atlântico. Geralmente, as pessoas que não conhecem bem a África, associam o continente apenas à sua beleza natural e diversidade de animais imaginando que as pessoas que vivem naquele continente criam em suas casas elefantes, onças, girafas como animais de estimação. É absurdo essa ignorância, pior ainda é permanecer nela, reproduzi-la mesmo tendo meios de se informar melhor.
O continente possui alguns desertos e semidesertos, sendo os maiores os Saara, com uma área total de 9 065 000 km². Sua alta temperatura o faz ser conhecido mundialmente e ainda ocupa o terceiro maior deserto da Terra. Ele é tão grande que compreende muitos países da África do Norte: Argélia, Chade, Egito, Líbia, Mali, Mauritânia, Marrocos, Níger, Saara Ocidental, Sudão e Tunísia.

Fonte: Viajadona

O deserto Namibe também está na lista dos maiores da África. Localiza-se ao sudoeste do continente, entre sul de Angola e norte da África do Sul. É bastante quente e formado por inúmeras dunas, encostas e planícies. Sua área ultrapassa 30 mil km².


Deserto do Namibe. Fonte: Wikipedia

Ainda, na lista dos maiores desertos africanos, está o Kalahari, localizado na África Austral. Ele abrange partes de Angola, do Botswana, Namíbia e África do Sul.



Deserto Kalahari. Fonte: Wikipedia

Outra curiosidade sobre a Geografia africana e que poucos sabemos é que por ter várias falhas tectônicas, e dessas falhas é que nasceram os grandes lagos Vitória, Tanganika e o Malawi. O tamanho delas é bastante considerável, podendo chegar a 80 quilômetros de largura e centenas de metros de profundidade.

Lago Vitória. Fonte: Wikipedia

Lago Tanganika. Fonte: Dreamstime

Lago Malawi. Fonte: Aquarismo Online

Vale do Rift. Aqui estão localizados os três lagos citados anteriormente. Fonte: WikiandVale do Rift 

Bom, pessoal, por enquanto é isso. Eu quis compartilhar com vocês um pouco, bem pouco sobre a maravilhosa geografia africana. Digo bem pouco porque nosso continente-Mãe é muito grande, lindo e maravilhoso. Em um post seria impossível falar de tudo, mas quem tiver e quiser somar com o blog, pode postar nos comentários mais informações ou enviar para o e-mail para que possa ser postado aqui com os devidos créditos.

Até breve!


FONTES EXTRAS: 

BRITO, Edilson Pereira; FABRICIO, Edison Lucas. História da África e dos Africanos: dos primórdios ao período pré-colonial. Indaial: UNIASSELVI-PÓS EAD, 2012.

sábado, 10 de março de 2018

Primeira universidade do mundo nasceu no Mali, África. Madraça (kemetiano) Universidade (ocidental)

Madraça é o nome do local onde aqui no ocidente chamamos de universidade. O termo é  kemetiano. Além de ser um centro de estudos, também é o local onde os muçulmanos fazem suas práticas, a conhecida Mesquita. 

“O que definimos como cultura ocidental é a vivência e educação por base na Filosofia Greco-Romana, Espiritualidade Judaico-Cristã, Modelos político e econômico que está na Revolução Francesa e Industrial” (NOGUERA, Dr. Renato, 2016 / Tempo no vídeo: 29 min a 1:15:30). 

Dentre as diversas valiosas iniciativas de cunho cultural e científico que a África nos ofereceu e oferece está a madraça. A cada descoberta de que algo surgiu no continente africano, me sinto mais orgulhosa e feliz pela nossa riqueza em TODOS os aspectos.

Localizada em Tombouctou (em francês), no Mali, oeste africano, madraça é um centro de estudos. Fica no continente africano, portanto, os três centros de estudos mais antigos do mundo. Sim, do mundo! A famosa Universidade de Tombouctou é composta por essas três mesquitas: Djinguereber, Sidi Yahya e Sankore.

Sidi Yahia mosque, 15th century, Timbuktu, Mali. Photo: MINUSMA/Sophie Ravier


SidiYahya – é uma mesquista e madraça. Mesquista é o local de culto dos seguidores do Islã. Sua construção foi concretizada no ano de 1440. O templo teve seu fim em 2012 com a  Batalha de Gao e Tombouctou.

Djinguereber - Photo: upiernoz


Djinguereber -  também é uma mesquita. Foi construída em 1327. Seu design foi feito especialmente para o imperador do Império do Mali e foi pago em ouro. OURO!

Madraça de Sankore - Wikipedia - Photo KaTeznik

Sankore – Esta mesquita é a mais antiga dos três centros de ensino de Tombouctou. Foi construída em 1300. Sua reconstrução aconteceu em 1581. E pra animar mais ainda, foi uma MULHER que financiou a construção da Mesquita de Sankore. Essa mulher era filha de comerciante. Eles eram tão ricos, mas tão ricos, que ela resolveu investir sua fortuna na construção de uma madraça. Investimento melhor não há, concordam? Investir em conhecimento nunca é demais.


*Todas as referências dos textos deste blog são citados ou como link ou numa relação feita após o fim do texto.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Diop e sua tese sobre a despigmentação da pele - Europeus foram negros


No post anterior, falamos sobre a origem do homem na África. As dúvidas podem existir talvez em razão de cor da pele que os europeus, asiáticos têm em comparação aos africanos e pessoas que vivem em países com o clima mais quente, por exemplo o Brasil. Então, com base num livro que estou lendo sobre Africanidade, Charles S. Frinch III, um dos escritores da obra, usa seu espaço para falar o que Cheikh Anta Diop comprovou sobre a despigmentação da pele.

No período interglacial, uma parte da população africana migrou para Eurásia colonizando da Espanha até uma parte asiática da Rússia. Essa afirmativa é comprovada cientificamente por meio de estudos em fósseis encontrados nessa região. Porém, depois de algum tempo – falamos aqui de tempo entre cinquenta e quarenta mil anos atrás – os gelos voltaram a tomar conta dessa região para onde os africanos haviam migrado na Eurásia. Por conta do gelo (frio e falta de muita luz solar) é que a pele passou pelo processo de despigmentação.

Se entendermos melhor a funcionalidade da Vitamina D no organismo, entenderemos o porquê de a pele dos africanos situados na Europa terem clareado. Ela tem como função dar força aos ossos. Um organismo que apresenta ausência dessa vitamina tem como resultado o raquitismo nas crianças e osteomalácia nos adultos. Ou seja, os ossos ficam moles e quebradiços. Em nós, mulheres, é mais grave ainda porque se ficarmos com os ossos fracos teremos a pélvis deformada e impossibilitada de realizar o parto normal, por exemplo.

Naquela época, a produção da Vitamina D no organismo só era possível através do contato com raios solares ultravioleta. Ela também é encontrada naturalmente em peixes de água salgada do hemisfério norte. Como mencionado há pouco, os raios solares ultravioleta são os principais meios de absorção dessa vitamina – hoje há outras formas encontradas para tê-las por meio da alimentação não só de peixes. Em nós, africanos (do continente ou da diáspora), tanto naquele tempo como agora, temos um pouco mais de dificuldade de absorver esses raios se estivermos em locais com poucos raios solares; isso se dá em razão da alta quantidade de melanina em nosso corpo, mesmo para quem tem o tom de pele mais claro, os chamados “morenos”. Na África e em outros ambientes quentes, tropicais, a pele negra se beneficiava e se beneficia mesmo para quem tem a pele com bastante melanina porque os raios solares são intensos. Em locais onde as geleiras predominam, como era o caso na Idade Glacial, os africanos que migraram para lá e tinham a pele com muita melanina eram prejudicados, pois lá o sol não era forte, consequentemente os raios não eram suficientes para ultrapassar a melanina da pele. Com isso, naturalmente, a pele das pessoas foi se despigmentando para que pudesse receber a quantidade necessária de Vitamina D através dos raios ultravioletas que não eram tão fortes como em regiões mais ensolaradas. Alguns africanos não permaneceram no local à época e, para resolver a situação, migraram para locais onde o clima era mais quente; outros, que permaneceram na Europa mesmo com esse clima gelado e vivendo em cavernas, foram se despigmentando.

A pele branca absorve melhor os raios solares, então esse problema de ausência de Vitamina D não ocorre para as pessoas com tais características. Além disso, a pele branca aguenta mais o frio do que a pele preta. Isso dá pra perceber no resultado de quando alguém com a pele branca que fica muito tempo exposta ao sol; e com quem tem a pele com mais melanina nada acontece. Segundo Diop, a despigmentação começou com o albinismo na Europa. O albinismo é uma condição que causa ainda bastante preconceito nas pessoas, mas foi através dele que começou o processo de despigmentação da pele dos nossos antepassados que viveram na Europa. Eles formaram a população ancestral aos da raça caucasiana contemporânea. Porém, em África, os albinos não têm muito tempo de vida devido ao clima, já que a pele não tem a quantidade de melanina suficiente para viverem por lá. Concluir-se que toda característica física do negro e do branco está relacionada ao clima ambiental. 


Referências:
- Afrocentricidade – Uma abordagem epistemológica inovadora – Sankofa 4 – organizado por Elisa Larkin Nascimento

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Sobre a origem da humanidade, Diop já tinha dado a visão

Cheikh Anta Diop


Na semana passada, alguns meios de comunicação divulgaram que o DNA de um esqueleto de há dez mil anos pode comprovar a existência debritânicos negros. O espanto foi geral, geral para quem ainda não tinha dado importância ao que o senegalês Cheikh Anta Diop já havia falado há muito tempo.

Em suas pesquisas, Diop prova que a humanidade começou na África e, segundo o modelo monogenésico da origem humana, todas as outras raças surgiram como ramos do tronco africano em função de mudanças climáticas e ambientais em várias partes do mundo durante a última Era Glacial. Para os europeus e todos os seus devotos, sempre foi muito difícil aceitar que um negro, africano, pudesse ter provas da origem da humanidade que iam de encontro ao que eles (os donos da verdade) levaram mais de um século para desenvolver e implantar na mente do mundo como a única verdade. 

Para isso, nosso mestre precisou utilizar de todas as ferramentas sólidas para enfrentar a academia europeia e comprovar que todos viemos do continente africano. Porém, só se dá veracidade a alguma descoberta quando é mencionada pelos europeus. Esses teóricos faziam parte da escola poligenésica. O que é isso? Poli significa vários; genésica vem de gênese, que significa origem. Portanto, eles acreditavam na possibilidade de existir várias origens do homem. Eles defendiam a ideia de que apesar de os hominídeos terem nascido na África, ao atingirem a fase de Homo erectus, cinco populações tenham se espalhado pela África, Europa e Ásia. Este pensamento faz com que cada população seja diferente da outra e indica que cada uma teve seu tipo de evolução para o homem moderno, assim distanciando-se uma da outra; obviamente, distanciando África dessa história.

Diop defendia a escola monogenésica (mono = único; genésica vem de gênese, que significa origem). Ele atacou fervorosamente a escola dos europeus provando com eficácia que todas as raças têm a mesma origem, todas elas são ramos do tronco africano. Fósseis com pelo menos 130 mil anos foram encontrados na Etiópia e no Quênia. Os mais antigos fósseis de Homo sapiens sapiens, denominados Homens Grimaldi, que foram encontrados na Europa não tinham mais que 40 mil anos. Eles migraram para a Europa na Era Glacial quando ela estava na fase de um aquecimento temporário que durou cerca de dez mil anos e assim eles colonizaram a maior parte da Eurásia. A estrutura dos crânios desses Grimaldis e dos esqueletos são comprovadamente negroides. Bom, conclui-se que esses Homens Grimaldi, europeus, com traços negroides, eram africanos.

Com a volta da retomada do gelo na região, esses homens passaram por uma adaptação forçada por causa do clima e suas peles foram se despigmentando, resultando no tom de pele claro que os europeus têm hoje. Para entender como se deu o processo de despigmentação na pele, é preciso nos voltarmos ao significado e a função do metabolismo da vitamina D no organismo. Para que esta conversa não fique demasiada cansativa, no próximo post vamos falar como ela funciona no corpo.



Referência:
- Afrocentricidade - uma abordagem epistemológica inovadora - Sankofa 4 - organizado por Elisa Larkin Nascimento

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Moedas africanas tradicionais


Este post é uma repostagem que fiz em 2014 para compartilhar uma das minhas várias visitas ao Museu Afro Brasil, no Ibirapuera. Em 2014, o Museu Afro Brasil nos presenteou com uma linda exposição dos metais usados como moeda na África.Com certeza a expo não está mais no Museu, e como este blog está passando por uma repaginação, estou selecionando alguns posts passados porque penso que são informações pertinentes para compartilhar.
Durante muito tempo, objetos de troca serviam como dinheiro para se obter alguma coisa. Falando especificamente da nossa casa, África, o metal foi uma importante moeda como forma de recursos no momento de compra.
Uma variedade de objetos com ou sem valor teve seus momentos de glória sendo usados no lugar do que hoje temos como dinheiro. As trocas de metais e seu acúmulo era como nossos irmãos, antigamente, demonstravam sua riqueza. Esses mesmos metais, posteriormente, foram transformados em armas, ferramentas e outros utensílios valiosos. Eles usavam esses objetos como forma de pagamento de quaisquer tipos de serviços prestados e, inclusive, para acertos de “dote de casamento”. Um costume que tantas pessoas desaprovam, mas ao sabermos um pouco mais chega a ser compreensível para a época é que o pagamento do dote não era porque a família estava vendendo a moça como se ela fosse mercadoria. O fato era que como o rapaz estava tirando-a do seu ceio familiar para se casar, ele deveria compensar a família por estar levando a mulher (enquanto força produtiva de trabalho e geradora de vida) do círculo de onde ela nasceu para fazê-la desenvolver atividades fora do seu núcleo original. Percebem como a figura da mulher parece ser sagrada? Em todos os textos que lemos sobre a presença feminina na vida africana é perceptível que a mulher é sagrada e respeitada porque gera vida.
Hoje, chamamos esses objetos de moedas, mas na época não era esse o nome. As definições foram várias: dinheiro primitivo, dinheiro pré-colonial, dinheiro tradicional, meios de pagamento, medida de valor, etc. Muitos desses nomes foram aplicados em diversos povos não africanos. Na arqueologia e na numismática, chamam-se a esses objetos de paleomoedas, formado pelo termo grego paleo (ou palaios) que tem significado de antigo; resultando em moeda antiga. Com o tempo, os objetos de valores foram perdendo seu espaço em negociações como forma de pagamento.
Não há como evitar as comparações entre as formas antigas de dinheiro e as atuais, mas também não podemos rotulá-las simplesmente como primitivas como se tivessem pouco valor. As paleomoedas eram feitas em materiais raros como o ferro, cobre, prata, bronze, ouro, etc. A seguir, vamos conhecer visualmente um pouco desses objetos.


 
As 4 peças iguais – Idoma – Moeda corrente – Século XX, Nigéria – Ferro

Iorubá – Ferramenta de Osanymm – Século XX, Nigéria – Ferro

As 2 lado a lado – Ponta de Lança – Moeda corrente – África Ocidental – Ferro

Lobi – Moeda corrente – Século XX, Burkina Faso – Ferro

12 – Dogon, Tellem – Peça de altar – Moçambique – Madeira
13 – Patanya – Moeda corrente – Nigéria – Ferro

14 e 16 – Moeda corrente – África Ocidental – Ferro. 
15 – Agogô – Instrumento musical – África Ocidental – Ferro

 Instrumento musical – Século XX, África Ocidental – Ferro

 Instrumento musical – Século XX, África Ocidental – Ferro

Kirdi – Moeda corrente – Século XX – Camarões

Moeda corrente – Século XX – África Ocidental

Moeda corrente – Século XX – África Ocidental

Iorubá – Moeda corrente – Século XX – Nigéria

Cruzeta de Katanga – Ferro fundido – República Democrática do Congo

Chamba – Moeda corrente – Século XX – Nigéria-Camarões – Ferro

Moeda corrente – Século XX – África Ocidental

Mumuye – Nigéria

Lobi – Século XX – Burkina Faso

Dogon – Mali – Ferro






sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

A África é importante para a História



A Pré-história e a História da humanidade são divididas entre o antes e o depois da invenção da escrita. Por muitos anos, a África teve sua história ocultada pelos ocidentais porque tinha-se a crença de que para se ter uma história, esta só teria validade se houvesse documentos escritos. Assim, a tradição oral africana era desvalorizada pelos europeus. M’bow, em seu prefácio no Volume I da História Geral da África, escreveu

Se Ilíada e a Odisseia podiam ser devidamente consideradas como fontes essenciais da história da Grécia antiga, em contrapartida, negava-se todo valor à tradição oral africana, essa memória dos povos que fornece, em suas vidas, a trama de tantos acontecimentos marcantes. (M’bow, 2010, pag. 21) 

É inadmissível, inclusive para muitos ignorantes nos dias atuais, aceitar que o continente africano nos forneceu inúmeras práticas que hoje fazem parte do nosso dia a dia, como a escrita, a arquitetura, a matemática, etc., etc. etc. Impossível é listar TUDO que usamos e fazemos e que teve origem no continente africano.

Hoje, estudando mais sobre nosso continente-mãe, é nítido perceber como historiadores ocidentais mutilaram a história da África. A maneira como isso ocorreu foi pela presença de viajantes estrangeiros no continente que acabaram fixando as imagens do que viam da maneira como quiseram. E claro que não foi positivamente. Durante muito tempo, ou até mesmo séculos, essas imagens foram sendo reprojetadas e serviram como justificativas para a visão que o mundo tem hoje do continente africano. Visão distorcida, obviamente. (Ki-Zerbo, 2010).

Nesse contexto, a desastrosa compreensão que se tem da África perdura até hoje. Ainda, muitas pessoas têm uma visão de que o continente é um local, mítico, exótico, que é apenas ligado à natureza; mas sem cultura (cultura da ciência). Existe grande dificuldade em compreender a África por meio da ciência. Acreditar que lá foram criadas inúmeras práticas que até hoje são vistas como criações europeias é um tabu. É importante olharmos para o nosso continente não apenas como cultura, algo como “é opcional fazer isso ou não porque a cultura de determinado local segue quem quer”. Precisamos mudar nosso olhar e vê-lo com mais orgulho e certeza de que África também é Ciência.

É de extrema importância que africanos do continente e africanos da diáspora nos juntemos para propagar nossas riquezas, nossas benfeitorias ao mundo. Isso, não como uma forma de reclamar algo (alguns podem pensar neste sentido), mas penso que propagar e conhecer cada vez mais como forma de autovalorização, autoestima. É gostoso saber que nossos antepassados deixaram legados importantíssimos para a humanidade. Isso nos fortalece também como posicionamento diante de uma sociedade que tenta a todo custo nos oprimir e depreciar nossa imagem por causa da cor da pele. Vamos nos fortalecer sempre.

NÃO, NÓS NÃO VAMOS MAIS PERMITIR QUE OPRESSORES QUEIRAM TOMAR NOSSO LUGAR DE FALA.

Referências:

- História Geral da África, Vol. I: Metodologia e pré-história da África / editado por Joseph Ki‑Zerbo.– 2.ed. rev. – Brasília : UNESCO, 2010. 992 p.

- FABRICIO, Edison Lucas; BRITO, Edilson Pereira. História da África e dos africanos: dos primórdios ao período pré-colonial. Indaial: Uniasselvi, 2012. 128 p.: il